BookCrossing Brasil – Pela libertação dos livros

2 anos ago Helena Castello Branco Comentários desativados em BookCrossing Brasil – Pela libertação dos livros

Movimento que incentiva a leitura já está em 130 países e tem mais de 2,5 milhões de seguidores

Lanchonete da Cidade
Em São Paulo, um dos 16 pontos credenciados para a libertação dos livros. Mas eles também podem ser encontrados em lugares públicos.

Por: Laura Antunes, Projeto Colabora

Diante de um bom livro, quem nunca, pelas asas da imaginação, viajou para lugares incríveis? E se essa mesma obra também percorresse, literalmente, o mundo, passando de mão em mão, sem pertencer a um único dono e sem ter como destino óbvio a prateleira de uma estante? Foi com essa proposta que, em 2001, surgiu na Califórnia, nos Estados Unidos, o movimento BookCrossing. A ideia era transformar o planeta numa grande biblioteca. Isso seria possível com a “libertação” (termo usado pelos praticantes) dos livros, que poderiam circular por locais públicos, como cafés, praças e transporte público para sorte de quem os encontrassem. Bastava levar a obra para casa e, depois da leitura, devolvê-la ao mundo, em algum outro local de circulação. Um assento de metrô por exemplo…

Desde então, o movimento ganhou força e cada vez mais adeptos por todo o planeta. Atualmente, calcula-se que pelo menos cerca de dez milhões de livros tenham sido ‘libertados” e estejam circulando pelos continentes. O BookCrossing já teria desembarcado em 132 países e arregimentado nada menos que 2,5 milhões de membros.

Por aqui, o movimento ganhou simpatizantes e praticantes também no início dos anos 2000, mas tomou formato em 2006, com a criação do BookCrossing Brasil. A plataforma de economia colaborativa e incentivo à leitura tem hoje 11.400 integrantes cadastrados, que passam a trocar livros entre si, enviar para quem solicitar ou deixar em pontos credenciados para a libertação de obras (em torno de 70 em todo o brasil). O que não quer dizer que as obras também não possam ser deixadas em algum local público.

Essa prática de deixar um livro numa área de circulação, para ser encontrado e lido por outro leitor, segundo a coordenadora do BookCrossing Brasil, a relações públicas Helena Castello Branco, já conseguiu libertar em torno de 200 mil obras no país. Ela garante que o movimento está presente em todos os estados.

Na verdade, o monitoramento dos trajetos das obras não é fácil. Os integrantes do BookCrossing Brasil registram o livro no site, que, em seguida, cria um número de identificação para ele. A ideia é que o primeiro dono da obra possa futuramente, na medida do possível, descobrir onde ele foi parar em sua viagem pelo planeta.

– Quando uma pessoa encontra um livro registrado no BookCrossing, ela não tem que vir até o site para informar que está de posse dele. Mas quem quiser participar do movimento terá acesso ao nosso cadastro de livros, participar de fóruns, solicitar determinada obra, que será enviada pelo atual dono pelos Correios ou entregue num ponto credenciado. A ideia é que não haja limites geográficos para essas obras. Elas não devem ficar paradas com um único dono. São livres para permitir o acesso à cultura. Por isso, o BookCrossing tem uma grande importância econômica e do ponto de vista da sustentabilidade, pois uma obra pode passar por muitos leitores – afirma Helena, que descobriu na semana passada que o livro “Santuário”, de William Faulkner, que ela havia “libertado” há oito anos está no momento em Minas Gerais, após ter passado temporadas em São Paulo, Santo André e sabe-se lá aonde mais…

Para quem quiser participar do movimento, o site BookCrossing Brasil ensina o passo-a-passo de como fazer para “libertar” um livro: como fazer o registro, entrar em contato com outros participantes, trocar livros, etc.

Helena Castello Branco, coordenadora do Bookcrossing Brasil
Helena Castello Branco, coordenadora do BookCrossing Brasil: mais de 200 mil obras libertadas no país

Pelo levantamento do site, São Paulo (com 16 pontos credenciados), São Carlos (interior de São Paulo) e Alegrete (Grande do Sul), ambas com oito pontos, são as cidades brasileiras com o maior movimento de BookCrossing. O estado do Rio de Janeiro está mal no ranking: apenas dois pontos (Jardim Botânico e Niterói). Neste link é possível conhecer todos eles.

Leitor voraz, o engenheiro Aventino Alves, que mora em São Paulo, descobriu o Bookcrossing em 2003, pelo site da BBC Brasil. Desde então, passou a fazer parte do movimento intensamente.

– Li sobre uma grande libertação de livros em Manchester, na Inglaterra. Comecei, então, a registrar livros e a participar do fórum em língua portuguesa que eles mantinham. Os portugueses eram a maioria no fórum e interagi bastante com alguns membros, iniciando uma amizade “online”. Já tive mais de 600 participações no fórum. Fiquei feliz porque, numa visita a Portugal, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente esses amigos – conta ele, que frequenta o site brasileiro também.

Aventino calcula já ter “libertado” uma centena de livros de seu acervo.

– Eu tenho um grande número de livros na minha coleção pessoal. Registrei no BookCrossing apenas os livros que pretendia libertar. Enviei a maioria para os pontos cadastrados, alguns ao léu e uma boa parte eu enviei pelos Correios a outros membros do movimento.

Ele destaca o que vê de especial nesse tipo de movimento de economia criativa:

– A iniciativa do BookCrossing é muito importante, não só pelo fato de fazer os livros circularem, mas também por aproximar as pessoas. Já participei de fóruns na França, Itália e Estados Unidos, trocando ideias com pessoas que nunca encontrei pessoalmente.

Mas os integrantes do movimento não interagem apenas de forma virtual. De acordo com Helena, o BookCrossing Brasil já programou, por exemplo, um encontro ao vivo entre seus integrantes, num espaço no bairro de Vila Madalena, em São Paulo. A expectativa era de que 50 membros participassem com a finalidade de trocar livros.

 

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